segunda-feira, 29 de março de 2010

É um tijolo... É uma parede...

Cansei de olhar aquelas casas velhas, descascadas pelo tempo. Aquelas construções antigas com cara de mofo. Sentado, sobre velhos muros cobertos de cinza e musgo. Uma tentação à melancolia, um ambiente quase bucólico. São heranças de tempos imemoráveis. Memórias perdidas por entre corredores escuros e becos sombrios. Quantas mágoas guardadas. Angústias escondidas em falsos conformismos. Que tinta tinge essas paredes e completa a textura desta tela mal pintada? As vidas de que se apoderou este lugar, agora são meras caricaturas. Despejos que o tempo se encarregou de arrastar, junto com as águas das inúmeras enchentes que este pequeno riacho suportou. Até ser encurralado e encarcerado em seu leito, onde nem a luz do sol o possa atingir. Este pequeno curso d’água. De água cinza e malcheirosa. Ele que sabia todos os segredos. Que via silencioso todo o desenrolar da vida deste ingrato lugar. Que perfumava suas margens com o aroma da liberdade. É mais um elemento cinza. Como tudo é cinza. Perdeu-se a criatividade, a felicidade ou apenas ficamos presos neste labirinto de cantos escuros. Mecânicos. Somos seres mecânicos. Querendo contar história, sem coragem de fazer.
Vejo este desabafo como a fumaça daquelas chaminés lá adiante. Um revolto redemoinho cinza em direção ao céu, que vira névoa, vira nuvem e perde a identidade. Agora, o que se apodera de mim não é revolta. Antes um alento. É preciso mudar as cores, pintar as casas e arrancar o regato de sua reclusão. Encontrar as memórias e mantê-las vivas. E matar apenas o mofo.

3 comentários:

Samara Martins disse...

estive por aqui. Adorei o texto...

bjoooooo

suzanne disse...

Oi Cid!!! me identifico com esse texto...
Beijo!

Dentro do Mochilão disse...

Olá Cid, entre tantas visitas suas no meu blog. Dessa vez, vim te visitar.
Apaixonada pela lua, que sou, comecei minha leitura pelo post "Uma lua me completa!". E dele segui para outros... Adorei a maneira como brinca com as palavras e a forma como retrata realidades com a leveza da poesia. Parabéns! Beijos